Protagonismo Feminino na Amazônia

Por meio da arte, Patrícia desenvolve um trabalho que integra pintura, dança, canto, oralidade e artesanato, valorizando os saberes ancestrais e criando espaços de encontro, aprendizado e pertencimento. Sua atuação evidencia como a arte indígena é uma ferramenta viva de identidade, resistência e transformação social, especialmente para a juventude indígena, que encontra nessas expressões referências de autoestima, continuidade cultural e pertencimento ao território.

Formada em Estética e Cosmetologia pela Faculdade Metropolitana do Amazonas (2020) e com formação em Gestão de Projetos Indígenas pelo Instituto Dom Moacir, no Acre, em parceria com a Federação do Povo Huni Kuin do Acre (FEPHAC), Patrícia construiu uma trajetória que articula conhecimento técnico, saberes tradicionais e compromisso com o desenvolvimento sustentável dos territórios indígenas e extrativistas.

Como resultado desse processo coletivo e de fortalecimento cultural, surgiu o Coletivo Xinã Xará Shuhurauti – Artistas Culturais da Amazônia Brasileira, que reúne diferentes expressões culturais dos povos indígenas da Amazônia. O coletivo promove a integração entre dança, canto, artesanato e narrativas ancestrais, fortalecendo a identidade cultural e ampliando a visibilidade da arte indígena em diversos espaços de diálogo, formação e incidência política.

Pela relevância de sua atuação, o coletivo foi reconhecido com o Prêmio de Ciências Indígenas do Pódio, em 2025. O reconhecimento evidenciou o impacto cultural, social e territorial do trabalho desenvolvido, além de abrir caminhos para a circulação da arte indígena em espaços nacionais e internacionais.

O Xinã Xará Shuhurauti esteve presente na COP 30, em Belém do Pará, participando de diferentes espaços institucionais, culturais e de mobilização social. Nesse contexto, jovens indígenas de diferentes etnias manifestaram suas vozes por meio da arte, levando ao público expressões de dança, canto, narrativas ancestrais e artesanato que revelam a riqueza cultural dos povos da Amazônia. As apresentações e exposições realizadas demonstraram que a arte indígena é mais do que expressão cultural: ela é uma resposta concreta aos desafios climáticos, uma ferramenta de conscientização, denúncia e proposição de caminhos sustentáveis, fundamentados nos saberes tradicionais e na relação equilibrada com a floresta.

Além da COP 30, o coletivo esteve presente na Feira da Sustentabilidade Aldeia COP 30, no Caucus Indígena da COP 30 e no espaço Expor Mais Amazônia, iniciativa do SEBRAE e da ApexBrasil, promovendo o artesanato indígena como expressão cultural e também como estratégia de geração de renda sustentável. O coletivo também realizou apresentações culturais no Barco Margarida, do Fundo Social Casa COP 30, e no Banzeiro da Esperança – Virada Sustentável, levando dança, canto e narrativas indígenas a diferentes públicos e territórios.

Ao ocupar esses espaços, o coletivo reafirma que a arte indígena vai além da expressão cultural: ela é uma ferramenta de fortalecimento comunitário, de acesso a políticas públicas, de geração de renda e de construção de pontes entre territórios, culturas e saberes. A arte se afirma, nesse contexto, como linguagem política, pedagógica e espiritual, capaz de traduzir a urgência da crise climática a partir da perspectiva dos povos da floresta.

Histórias como a de Patrícia Kambeba revelam a força de jovens lideranças indígenas que, com sensibilidade e compromisso coletivo, contribuem para o desenvolvimento da Amazônia a partir da cultura, do cuidado com o território e do respeito aos modos de vida tradicionais.

Recentemente, Patrícia Kambeba passou a integrar o IESA como Diretora Executiva, somando sua trajetória, sensibilidade e compromisso à missão da organização. Sua chegada representa um importante fortalecimento das iniciativas desenvolvidas pelo IESA, especialmente no que se refere à valorização da cultura indígena, ao protagonismo das mulheres e à atuação junto às juventudes amazônicas.

A experiência construída por Patrícia ao longo dos anos aliando arte, formação, organização comunitária e articulação com políticas públicas contribui de forma estratégica para ampliar o alcance das ações do IESA e aprofundar seu impacto nos territórios. Sua atuação conjunta reforça o compromisso com uma Amazônia mais justa, diversa e sustentável, construída a partir dos saberes dos povos da floresta.

Seja bem-vinda, Patrícia.

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